sábado, 25 de abril de 2015

Câncer: Quando as células se descontrolam

O Câncer é uma doença grave, mas na maioria dos casos, quando descoberto no início, ele pode ser tratado e o paciente ser curado. O especialista em Câncer é o médico chamado oncologista.
As células do embrião dividem-se e originam diversas células do corpo. Mesmo no adulto, encontramos as células capazes de se dividir e originar outras, em substituição as células desgastadas ou mortas. Tudo isso é controlado por nosso DNA.
No entanto, algumas células podem escapar do sistema de controle do nosso corpo e começar a se dividirem sem parar, em vez de realizar suas funções normais.Essa multiplicação produz massa de células chamadas tumores.
Alguns tumores, como verrugas, são benignos: eles crescem devagar e não se espalham pelo corpo.Podem ser removidos através de cirurgias.
Outros tumores, porem, crescem rapidamente,e invadem tecidos -são os tumores malignos. Podem ainda se espalhar através da circulação por diferentes partes do corpo-esse processo é chamado de metástase.Esses tumores retiram nutrientes de tecido ao seu redor e provocam morte de outras células.
Câncer é, portanto, o nome genérico que se dá a um grupo de doenças em que ocorr formação de tumores malignos.
O Câncer pode aparecer quando ocorrem mudanças nos genes que controlam a divisão da célula. Essas mudanças, por sua vez podem ser provocadas por vírus(Hepatite B, HPV), por substâncias químicas (como as encontradas na fumaça do cigarro), por radiação(Raios X, raios solars UV), ou por fatores Hereditários.
Muitos casos de Câncer podem ser prevenidos por um estilo de vida mais saudável:
Não fumar
Não se expor ao sol entre 10 e 15 hs sem usar filtro solar.
Adotar alimentação adequada
Usar preservativos nas relações sexuais pois há um vírus que é  sexualmente transmissível que causa câncer no colo de útero e tumores (Verrugas) nos órgãos genitais o HPV
Realizar exames médicos periódicos tais como a mamografia, US de mama e papanicolau para as mulheres e exame de próstata para os homens.


sexta-feira, 24 de abril de 2015

Os tecidos do Corpo Humano

Níveis de Organização do Corpo Humano

No nosso corpo, existem muitos tipos de células, com diferentes formas e funções. As células estão organizadas em grupos, que “trabalhando” de maneira integrada, desempenham, juntos, uma determinada função. Esses grupos de células são os tecidos.
Os tecidos do corpo humano podem ser classificados em quatro grupos principais: tecido epitelial, tecido conjuntivo, tecido muscular e tecido nervoso.

Tecido epitelial
As células do tecido epitelial ficam muito próximas umas das outras e quase não há substâncias preenchendo espaço entre elas. Esse tipo de tecido tem como principal função revestir e proteger o corpo. Forma a epiderme, a camada mais externa da pele, e internamente, reveste órgãos como a boca e o estômago.
O tecido epitelial também forma as glândulas – estruturas compostas de uma ou mais células que fabricam, no nosso corpo, certos tipos de substâncias como hormônios, sucos digestivos, lágrima e suor.


 

Tecido conjuntivo
As células do tecido conjuntivo são afastadas umas das outras, e o espaço entre elas é preenchido pela substância intercelular. A principal função do tecido conjuntivo é unir e sustentar os órgãos do corpo.
Esse tipo de tecido apresenta diversos grupos celulares que possuem características próprias. Por essa razão, ele é subdividido em outros tipos de tecidos. São eles: tecido adiposo, tecido cartilaginoso, tecido ósseo, tecido sanguíneo.

O tecido adiposo é formado por adipócitos, isto é, células que armazenam gordura. Esse tecido encontra-se abaixo da pele, formando o panículo adiposo, e também está disposto em volta de alguns órgãos. As funções desse tecido são: fornecer energia para o corpoatuar como isolante térmico,diminuindo a perda de calor do corpo para o ambienteoferecer proteção contra choques mecânicos (pancadas, por exemplo).



Imagem de microscópio óptico de tecido adiposo. Note que as linhas são as delimitações das células e os pontos roxos são os núcleos dos adipócitos. A parte clara, parecendo um espaço vazio, é a parte da célula composta de gordura.

Tecido cartilaginoso forma as cartilagens do nariz, da orelha, da traquéia e está presente nas articulações da maioria dos ossos. É um tecido resistente, mas flexível.
Nariz e orelha são formados por cartilagem.
Células cartilagíneas vista ao microscópio óptico.
O tecido ósseo forma os ossos. A sua rigidez (dureza) deve-se à impregnação de sais de cálcio na substância intercelular.
O esqueleto humano é uma estrutura articulada, formada por 206 ossos. Apesar de os ossos serem rígidos, o esqueleto é flexível, permitindo amplos movimentos ao corpo graças a ação muscular.
O tecido sangüíneo constitui o sangue, tecido líquido. É formado por diferentes tipos de células como:
  • os glóbulos vermelhos ou hemácias, que transportam oxigênio;
  • os glóbulos brancos ou leucócitos, que atuam na defesa do corpo contra microrganismos invasores;
  • fragmentos (pedaços) de células, como é o caso das plaquetas, que atuam na coagulação do sangue.
A substância intercelular do tecido sanguíneo é o plasma, constituído principalmente por água, responsável pelo transporte de nutrientes e de outras substâncias para todas as células.

Componentes do sangue visto em microscópio eletrônico. As células vermelhas são os glóbulos vermelhos e a branca o glóbulo branco.
 Tecido muscular

As células do tecido muscular são denominadas fibras musculares e possuem a capacidade de se contrair e alongar. A essa propriedade chamamos contratilidade. Essas células têm o formato alongado e promovem a contração muscular, o que permite os diversos movimentos do corpo.
O tecido muscular pode ser de três tipos: tecido muscular lisotecido muscular estriado esqueléticoe tecido muscular estriado cardíaco.

Tipos de tecidos musculares. Os pontos roxos são os núcleos das células musculares.

O tecido muscular liso apresenta uma contração lenta e involuntária, ou seja, não depende da vontade do indivíduo. Forma a musculatura dos órgãos internos, como a bexiga, estômago, intestino e vasos sangüíneos.
O tecido muscular estriado esquelético apresenta uma contração rápida e voluntária. Está ligado aos ossos e atua na movimentação do corpo.


Observe os inúmeros músculos que formam o nosso corpo.

 
Tecido nervoso

As células do tecido nervoso são denominadas neurônios, que são capazes de receber estímulos e conduzir a informação para outras células através do impulso nervoso.
Os neurônios têm forma estrelada e são células especializadas. Além deles, o tecido nervoso também apresenta outros tipos de células, como as células da glia, cuja função é nutrir, sustentar e proteger os neurônios. O tecido é encontrado nos órgãos do sistema nervoso como o cérebro e a medula espinhal.




Divisão Celular: Mitose e Meiose

Os cromossomos são responsáveis pela transmissão dos caracteres hereditários, ou seja, dos caracteres que são transmitidos de pais para filhos. Os tipos de cromossomos, assim como o número deles, variam de uma espécie para a outra. As células do corpo de um chimpanzé, por exemplo, possuem 48 cromossomos, as do corpo humano, 46 cromossomos, as do cão, 78 cromossomos e as do feijão 22.
Note que não há relação entre esse número e o grau evolutivo das espécies.

Os 23 pares de cromossomos humanos.
Os cromossomos são formados basicamente por dois tipos de substâncias químicas: proteínas ácidos nucléicos. O ácido nucléico encontrado nos cromossomos é o ácido desoxirribonucléico – o DNA. O DNA é a substância química que forma o gene. Cada gene possui um código específico, uma espécie de “instrução” química que pode controlar determinada característica do indivíduo, como a cor da pele, o tipo de cabelo, a altura, etc.
Cada cromossomo abriga inúmeros genes, dispostos em ordem linear ao longo de filamentos. Atualmente, estima-se que em cada célula humana existam de 20 mil a 25 mil genes. Os cromossomos diferem entre si quanto à forma, ao tamanho e ao número de genes que contêm.

Células haplóides e diplóides
Para que as células exerçam a sua função no corpo dos animais, elas devem conter todos os cromossomos, isto é dois cromossomos de cada tipo: são as células diplóides. Com exceção das células de reprodução (gametas), todas as demais células do nosso corpo são diplóides. Porém, algumas células possuem em seu núcleo apenas um cromossomo de cada tipo. São as células haplóides. Os gametas humanos – espermatozóides e óvulos – são haplóides. Portanto os gametas são células que não exercem nenhuma função até encontrarem o gameta do outro sexo e completarem a sua carga genética.
Nos seres humanos, tanto o espermatozóide como o óvulo possuem 23 tipos diferentes de cromossomos, isto é, apenas um cromossomo para cada tipo. Diz-se então que nos gametas humanos n= 23 (n é o número de cromossomos diferentes). As demais células humanas possuem dois cromossomos de cada tipo. Essas células possuem 46 cromossomos (23 pares) no núcleo e são representadas por 2n = 46.
Nas células diplóides do nosso corpo, os cromossomos podem, então, ser agrupados dois a dois. Os dois cromossomos de cada par são do mesmo tipo, por possuírem a mesma forma, o mesmo tamanho e o mesmo número de genes. Em cada par, um é de origem materna e outro, de origem paterna.

Tipos de divisão celular
As células são originadas a partir de outras células que se dividem. A divisão celular é comandada pelo núcleo da célula.
Ocorrem no nosso corpo dois tipos de divisão celular: amitose e a meiose.
Antes de uma célula se dividir, formando duas novas células, os cromossomos se duplicam no núcleo. Formam-se dois novos núcleos cada um com 46 cromossomos. A célula então divide o seu citoplasma em dois com cada parte contendo um núcleo com 46 cromossomos no núcleo. Esse tipo de divisão celular, em que uma célula origina duas células-filhas com o mesmo número de cromossomos existentes na célula mãe, é chamado de mitose.
Portanto, a mitose garante que cada uma das células-filhas receba um conjunto complementar de informações genéticas. A mitose permite o crescimento do indivíduo, a substituição de células que morrem por outras novas e a regeneração de partes lesadas do organismo.
Mas como se formam os espermatozóides e os óvulos, que têm somente 23 cromossomos no núcleo, diferentemente das demais células do nosso corpo?

Na formação de espermatozóides e de óvulos ocorre outro tipo de divisão celular: a meiose.
Nesse caso, os cromossomos também se duplicam no núcleo da célula-mãe (diplóide), que vai se dividir e formar gametas (células-filhas, haplóides). Mas, em vez de o núcleo se dividir uma só vez, possibilitando a formação de duas novas células-filhas, na meiose o núcleo se divide duas vezes. Na primeira divisão, originam-se dois novos núcleos; na segunda, cada um dos dois novos núcleos se divide, formando-se no total quatro novos núcleos. O processo resulta em quatro células-filhas, cada uma com 23 cromossomos.


Desenho da Meiose

Resultado de imagem para meiose crossing over

Como são as células O Corpo Humano

Como são as células O Corpo Humano

Como são as células O Corpo Humano

Como são as células O Corpo Humano

Animação Célula 3D

Citoplasma - Resumão ENEM Citologia - Prof. Paulo Jubilut





Pessoal, essa videoaula é bem interessante!!!!!

terça-feira, 21 de abril de 2015

Pelos, por que tê-los?

Os pelos púbicos e das axilas, o famoso “sovaco”, são importantes. Se não fosse assim, porque eles nasceriam especificamente nestes lugares, não é mesmo? Primeiro, estes pelos são ligeiramente diferentes dos outros que temos espalhados pelo corpo. Eles crescem de forma diferente entre meninos e meninas por causa dos hormônios produzidos durante a puberdade. Entre as meninas acontece entre 8 e 14 anos. Já entre os meninos, 10 e 15.
Mas porque estes pelos aparecem nesta idade e especificamente embaixo dos braços e entre as pernas? A resposta ainda não é precisa, mas a mais aceita atualmente é que está relacionada com as glândulas de suor.
Existem dois tipos de glândulas sudoríparas. As écrinas e apócrinas. As glândulas écrinas estão espalhadas por toda a pele e secretam apenas o suor com uma composição basicamente feita de água e alguns sais minerais. A função deste suor é controlar a temperatura corporal. Por outro lado, as glândulas apócrinas, que são encontradas de forma abundante nas axilas e na região púbica, secretam além de água, substâncias mais consistentes e gordurosas. O que os cientistas acreditam é que os pelos crescem por causa desta secreção.
Como estas moléculas mais gordurosas são secretadas durante a puberdade, isto explicaria o crescimento destes pelos. Faz sentido, já que os pelos pubianos e das axilas são diferentes dos fios de cabelo, como já citamos no começo. Eles são mais encaracolados, por causa do folículo mais estreito, e crescem por menos tempo. Enquanto o fio de cabelo tem um tempo de vida máximo de 7 anos, os pelos pubianos e das axilas cresce por apenas 6 meses e depois caem.
As glândulas nestas regiões são conhecidas como glândulas de odor. Estas moléculas orgânicas secretadas são fonte de alimento para bactérias que vivem sobre a nossa pele e a digestão provocada por estes microrganismos é o que causa o cheiro característicos destas partes do nosso corpo. Os pelos acabam fornecendo o ambiente para o crescimento destas bactérias.
Depilar ou não depilar?
Quando falo em depilar, digo: tirar todos os pelos, não apenas aquela aparada na mata... E seja por qual método for: raspar com lâmina, retirar com cera ou a laser. Devemos lembrar que estes pelos fazem parte de uma proteção natural, uma resposta fisiológica que acontece em todos indivíduos normais da nossa espécie. Lógico, alguns têm mais pelos do que outros. Mas todos têm pelos.
Os pelos servem para diminuir a fricção existente no contato de pele com pele. E não estou falando de sexo, mas de uma coisa mais simples como andar. Os pelos diminuem as assaduras nas virilhas.
Outra boa função é criar uma barreira contra as bactérias. Pensar que tirar os pelos vai deixar o local mais limpo é ingênuo. As bactérias estão por toda a parte e ter pelos previne que elas tenham contato direto com a pele, o que seria a última barreira para entrar em nossos corpos.
Um dos benefícios encontrado na depilação é evitar pequenos parasitas, os piolhos-da-púbis, popularmente conhecidos como chatos. Porém, o aparecimento destes parasitas é tão raro na população, que muitas depilações são desnecessárias se for levar em consideração este argumento.
Para finalizar, uma ideia. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos comparou ensaios fotográficos em revistas e filmes pornográficos e constataram que houve uma mudança no padrão estético destas produções. O que parece um contrassenso, já que os pelos ajudam a espalhar mais facilmente as moléculas de cheiro conhecidas como feromônios, cujos estudos indicam ter papel relevante nas relações sexuais.
Fonte: Head Squeeze

Disponível : https://www.biologiatotal.com.br/blog/pelos,+por+que+te-los-307.html

terça-feira, 14 de abril de 2015

As Células

Todo ser vivo é formado por células
Como vimos, há seres vivos bem simples, os Procariontes( Bactérias e Algas Azuis) e os Eucariontes Animais e Plantas.
Os seres Procariontes são bem simples, a célula é constituída de uma cápsula,a membrana Plasmática e o Citoplasma. Elas não possuem núcleo verdadeiro, e o material Genético (DNA, RNA) é disperso no citoplasma. Elas possuem ribossomos para sintetizar proteínas. Vejam o Desenho abaixo de uma célula Procarionte




Célula Eucarionte de Animal

A célula Eucarionte Animal possui Membrana, Citoplasma e Núcleo delimitado pelo envoltório Nuclear.
A membrana é composta de lipídios e proteínas que selecionam o que entra e o que sai da célula  protegendo-a.

O Citoplasma é composto do Citosol, do citoesqueleto e de organelas exercem várias funções na célula

Mitocôndria
Realiza a respiração Celular, ou seja a produção de energia.

   

 Ribossomos: sintetizam Proteínas


Lisossomos: fazem a digestão celular



Retículo Endoplasmático Liso e Rugoso







O retículo endoplasmático liso tem a função de transportar substância, produzir lipídios, e desintoxicar a célula.. O retículo endoplasmático Rugoso com Ribossomos transportam as proteínas para serem armazenada pelo Complexo de Golgi ou aparelho Golgiense para serem secretadas.




Centríolos: participam da divisão celular

 Peroxissomo possui a catalase que ajuda a transformar a água oxigenada em água.



No núcleo da célula há material Genético, e o  nucléolo





sexta-feira, 13 de março de 2015

Notícias recentes sobre Neandertais

Neandertais são injustiçados na história da evolução do homem

Espécie que mais se assemelha ao homem moderno é retratada como pouco inteligente e bruta, mas viveu em complexo sistema social.


Há 40 mil anos, no local onde hoje é a Alemanha, um caçador foi surpreendido quando tentava garantir o almoço. A Europa enfrentava um período de glaciação que escasseava os recursos. Com uma lança na mão, o musculoso homem vestido com peles grossas finalmente viu sua presa em uma caverna. Mas, antes que pudesse se apropriar dela, um grupo se aproximou. Eram pessoas extremamente parecidas com ele, porém mais altas e com feições menos brutas. Com técnicas e ferramentas avançadas, pegaram o animal ferido e mataram o inimigo.



O homicídio permaneceu escondido por camadas de calcário até que, no fim do século 19, o esqueleto foi encontrado na caverna de Neander Valley, dando início à corrida pelos ancestrais humanos. Feridas nos ossos permitiram aos paleontólogos, anos depois, concluir que o Neanderthal foi assassinado por uma nova leva humana que há 45 mil anos migrou para a Europa, exterminando os neandertais cinco mil anos depois.

De todas as espécies que compõem os galhos da evolução, essa foi a que mais se assemelhou ao homem moderno. Objeto de controvérsias, já foi considerada uma subespécie do Homo sapiens, a Homo sapiens neanderthalensis, mas hoje predomina a ideia de que os neandertais foram outra espécie humana que compartilhou um ancestral com o homem moderno e se dividiu há cerca de 500 mil anos.

Presentes na Europa e na Ásia por quase 200 mil anos, os neandertais desapareceram em um episódio ainda misterioso. O clima já foi responsabilizado, mas hoje aumentam as evidências de que a presença do Homo sapiens foi primordial para extingui-los. As mudanças de temperatura, de fato, deixaram o ambiente inóspito, dificultando a busca por comida. Talvez, porém, eles tivessem sobrevivido à escassez se não precisassem disputar recursos com uma espécie capaz de caçar em grandes grupos e que se reproduzia a toda velocidade.

Por muito tempo, o Homo sapiens foi injusto com seu parente mais próximo. Pintou o neandertal como um ser abrutalhado e pouco inteligente. Novas pesquisas de campo, contudo, mostram que a espécie tinha cultura própria e um complexo sistema de organização social. Controlava o fogo e, provavelmente, acreditava em vida após a morte, já que enterrava seus mortos seguindo um padrão funerário.

Fisicamente, os fósseis indicam que os neandertais tinham membros curtos, estruturados por profundas e largas costelas. A anatomia ajudava a reter o calor, já que eles viveram justamente na Era do Gelo. Usava lanças finas e pesadas para caçar e provavelmente fazia os ataques com a mão direita, visto que o estudo da ossatura da espécie revelou que esse lado do corpo era mais forte. Mais carnívoro que o Homo sapiens, ele usava métodos simples para a caça. Escondido na floresta, esperava a presa se aproximar. O fato de não se aventurar em emboscadas não significa, porém, que era menos inteligente.

Até maquiagem 
Recentemente, o pesquisador João Zilhão, da Universidade de Bristol, na Inglaterra, descobriu que os neandertais usavam bijuterias e maquiagem. Adornar o corpo com pinturas não era apenas uma questão de vaidade. Nas sociedades primitivas, os ornamentos tinham uma função ritualística. Daí a conclusão de que os neandertais eram mais sofisticados do que se imaginava. As evidências foram encontradas em dois sítios arqueológicos de Múrcia, no Sudeste espanhol: a Cueva de los Aviones e a Cueva Antón. Nas cavernas, eles resgataram conchas perfuradas e com resíduos de tinturas amarelas e vermelhas, datadas de 50 mil anos.

Ralph Holoway, pesquisador da Universidade de Columbia em Nova York, afirma que não há motivos para duvidar da inteligência dos neandertais, já que eles tinham um cérebro, inclusive, maior que o do humano moderno e anatomicamente idêntico. Para ele, as áreas cerebrais responsáveis pelos pensamentos complexos eram tão avançadas quanto às do Homo sapiens.

A espécie também era capaz de falar. Filmes e desenhos retratam o homem das cavernas, os neandertais, dizendo, no máximo, “uga-uga”. Mas, ao analisar o crânio de um indivíduo da espécie, o professor Bob Franciscus, da Universidade de Iowa, notou que o trato vocal dos neandertais era mais largo e curto que o de um homem moderno, características que não impediam a fala. “Crucialmente, a anatomia do trato vocal é suficientemente próxima à nossa, indicando que não havia razão para que ele não produzisse uma complexa extensão de sons.”

Inteligente e comunicativo, ainda assim o neandertal não aguentou a pressão do Homo sapiens. A capacidade reprodutiva pode estar por trás disso. De acordo com um estudo do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, a população neandertal era muito pequena. Mais numerosos, os homens que vieram da África levavam vantagem. Pouco a pouco, a espécie seria reduzida, morrendo de fome ou durante brigas, como a que vitimaram o indivíduo encontrado enterrado na caverna de Neander Valley.

Notícias Recentes sobre Fósseis de Ancestrais Humanos

Descoberta de novo crânio pode reescrever história da espécie humana

Fósseis de 1,8 milhão de anos encontrados na Geórgia sugerem que a aparência dos ancestrais humanos era muito variada; e que os 'Homo habilis', 'Homo rudolfensis' e 'Homo erectus' poderiam ser uma mesma espécie

Crânio 5
Segundo os pesquisadores, o Crânio 5 pertenceu a um indivíduo da espécie Homo erectus. Ele, no entanto, era diferente de outros fósseis encontrados anteriormente, o que sugere que a espécie era mais variada do que se pensava(Museu Nacional da Geórgia/VEJA)
Um crânio descoberto em 2005 na região de Dmanisi, na Geórgia, pode obrigar os cientistas a reescreverem toda a história de evolução da espécie humana. O fóssil possui aproximadamente 1,8 milhão de anos e é o mais antigo crânio completo já encontrado por pesquisadores.

Suas características físicas - a caixa craniana pequena e o grande maxilar - nunca haviam sido encontradas em conjunto antes, desafiando as divisões traçadas pelos cientistas para separar as espécies de ancestrais humanos. Segundo um estudo publicado nesta quinta-feira na revista Science, a descoberta sugere que os primeiros membros do gênero Homo, aqueles classificados como Homo habilisHomo rudolfensis eHomo erectus, faziam parte, na verdade, da mesma espécie - seus esqueletos simplesmente pertenceriam a indivíduos de aparência diferente.


CONHEÇA A PESQUISA
  Título original: A Complete Skull from Dmanisi, Georgia, and the Evolutionary Biology of Early Homo
Onde foi divulgada: periódico Science
Quem fez: Christoph P. E. Zollikofer, entre outros pesquisadores
Instituição: Museu Nacional da Geórgia, entre outras
Dados de amostragem: Análises de cinco crânios encontrados na região de Dmanisi, na Geórgia
Resultado: Os pesquisadores concluíram que, apesar das diferenças entre si, os crânios pertenceram à mesma espécie de ancestral humano, que viveu na região há 1,8 milhão de anos.

Essas espécies foram todas encontradas na África, em períodos que vão até 2,4 milhões de anos atrás. Os pesquisadores usaram a variação no formato de seus crânios para classificá-las como espécies diferentes, porém aparentadas. No entanto, desde a descoberta dos primeiros fósseis, os cientistas têm enfrentado dificuldades para traçar uma linha evolutiva entre elas, sem conseguir apontar de maneira definitiva qual deu origem às outras e aos Homo sapiens.

O novo crânio descoberto na Geórgia - que ganhou o nome de Crânio 5 - combina entre suas características uma caixa craniana pequena, um rosto excepcionalmente comprido e dentes grandes. Até agora, o sítio arqueológico só foi parcialmente escavado, mas se revelou um dos mais importantes já descobertos. O fóssil foi encontrado ao lado dos restos mortais de outros quatro ancestrais humanos primitivos, um grande número de ossos de animais e algumas ferramentas de pedra.

Segundo os cientistas, os fósseis estão associados ao mesmo local e período histórico, sugerindo que as ossadas pertenceram todas à mesma espécie de ancestral humano. Isso forneceu aos pesquisadores uma oportunidade única para comparar os traços físicos de indivíduos de uma mesma espécie e o que descobriram foi uma grande variedade de tamanhos e formas, mas nada diferente da variação encontrada entre os humanos modernos. "Graças à amostra relativamente grande de Dmanisi, pudemos ver a grande diferença que existia entre os indivíduos. Essa variação, porém, não é superior à encontrada entre populações modernas de nossa própria espécie, dos chimpanzés ou bonobos", diz Christoph Zollikofer, pesquisador do Instituto e Museu de Antropologia, na Suíça, e um dos autores do estudo.

crânio
A pequena caixa craniana e o grande maxilar do hominídeo surpreendeu os cientistas e pode levar a uma mudança no modo como se escreve a evolução do gênero Homo(Guram Bumbiashvili, Museu Nacional da Geórgia/VEJA)
 
A pequena caixa craniana e o grande maxilar do hominídio surpreenderam os cientistas e pode levar a uma mudança no modo como se escreve a evolução do gênero Homo.

Duas espécies em um mesmo crânio - O Crânio 5 foi escavado em duas etapas pelos pesquisadores. Primeiro, eles descobriram a pequena caixa craniana, no ano 2000. Seu tamanho diminuto - ela media apenas 546 centímetros cúbicos, em comparação aos 1350 centímetros cúbicos dos humanos modernos - sugeria a existência de um cérebro pequeno. Durante os anos seguintes, continuaram escavando a região, em busca do maxilar que iria completar a figura.
Em 2005, finalmente encontraram os ossos que faltavam, mas, ao contrário do esperado, o maxilar era enorme, com dentes grandes. "Se a caixa craniana e o resto do Crânio 5 fossem encontrados como fósseis separados, em lugares diferentes da África, eles seriam atribuídos a espécies diferentes", diz Christoph Zollikofer.

Durante os oito anos seguintes, os pesquisadores realizaram estudos comparativos dos cinco crânios encontrados no local. Como resultado, concluíram que eles pertenceram à mesma espécie de ancestrais humanos, surgidos pouco tempo depois de o gênero Homodivergir do Australopithecus e se dispersar da África. "Os fósseis de Dmanisi parecem muito diferentes uns dos outros, e seria tentador classificá-los como espécies diferentes", diz Zollikofer. "No entanto, sabemos que esses indivíduos vieram do mesmo local e tempo geológico, então eles devem, em princípio, representar uma única população de uma única espécie." Segundo os cientistas, diferenças de idade e sexo devem ser responsáveis pelas principais diferenças morfológicas.
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Modelos dos cinco crânios encontrados na Geórgia. Eles estão colocados em ordem, do 1 ao 5, demonstrando a diferença que existia entre os indivíduos(M. Ponce de León and Ch. Zollikofer/VEJA)
Modelos dos cinco crânios encontrados na Geórgia. Eles estão colocados em ordem, do 1 ao 5, demonstrando a diferença que existia entre os indivíduos
Assim, os pesquisadores sugerem que a ideia da existência de várias espéciesHomo - cada uma especializada para um ambiente do Terra - seja derrubada. Ao contrário, eles defendem a existência de uma única espécie Homo erectus, surgida no continente africano, capaz de se adaptar aos diferentes ecossistemas e que viria dar origem aos seres humanos modernos. A hipótese não deve ser aceita de imediato pela comunidade científica, mas dar origem a discussões acadêmicas e mais estudos que podem, eles sim, mudar o modo com a história evolutiva da espécie humana é narrada.


Cientistas anunciam descoberta do mais antigo fóssil humano da História

Vestígios de mandíbula de Homo habiliscom cerca de 2,8 milhões de anos foram encontrados na Etiópia

por 

Fóssil de mandíbula descoberto na Etiópia - Divulgação
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RIO - Entre três milhões e dois milhões de anos atrás, na África, os australopitecos, ancestrais humanos mais parecidos com macacos, mas já capazes de andar sobre os dois pés, aos poucos deram lugar para os primeiros representantes do gênero Homo, com cérebros maiores e porte mais ereto, em um importante passo na evolução dos homens modernos (Homo sapiens). Os parcos e fragmentados registros fósseis desta época, no entanto, tornam difícil o estudo desta transição, num quebra-cabeça que tem desafiado os cientistas há décadas e agora ganha mais uma peça fundamental. Encontrados há apenas dois anos na árida região de Ledi-Geraru, no estado de Afar da atual Etiópia, fragmentos de uma mandíbula datados em 2,8 milhões de anos podem ser os mais antigos restos de um indivíduo do gênero Homo conhecidos, anteriores em 400 mil anos aos mais velhos que já tinham sido achados.
Dentes menores, mas queixo ainda recuado
Com dentes menores que os vistos nos australopitecos e um formato mais proporcional e peculiar, os pesquisadores acreditam que a mandíbula reconstruída pertenceria a um representante da espécie Homo habilis, ou pelo menos a um elo de passagem entre nossos antepassados mais próximos dos macacos para os mais humanos, já que seu queixo também apresenta um recuo normalmente associado aos nossos ancestrais mais “primitivos”. Além disso, a idade do fóssil e o local onde foi encontrado o coloca perto no tempo e no espaço ao fóssil da famosa Lucy, que está entre os mais bem preservados e antigos restos de um indivíduo da espécie Australopithecus afarensis, encontrados em 1974 no sítio de Hadar e datados em pouco mais de três milhões de anos.

— O registro fóssil no Leste da África, entre dois milhões e três milhões de anos atrás, é muito pobre, e existem relativamente poucos fósseis que podem nos dar informações sobre as origens do gênero Homo — lembrou Brian Villmoare, paleoantropólogo da Universidade de Nevada, nos EUA, e um dos líderes da pesquisa, publicada na edição desta semana da revista “Science”, em teleconferência ontem. — Este, porém, é um dos períodos mais importantes da evolução humana, já que, nesta época pouco conhecida, os humanos fizeram a transição dos mais símios australopitecos para os padrões adaptativos modernos vistos nos Homo. Assim, o que há de tão especial nessa mandíbula não é só sua idade, muito mais velha que qualquer exemplar de Homo conhecido até agora, mas também sua combinação única de traços, da altura da mandíbula ao formato dos dentes, que a faz uma clara transição entre os australopitecos e os Homo.

O fato de ter características tão claras alinhadas com as dos Homo há 2,8 milhões de anos nos ajuda a restringir o tempo dessa transição e sugere que ela foi relativamente rápida.

Em outro artigo também publicado na “Science” desta semana e que acompanha o estudo sobre o fóssil, os cientistas procuraram descrever o contexto geológico e ambiental onde ele foi encontrado. Há tempos os especialistas desconfiam que mudanças climáticas ocorridas nesta época na África, com exuberantes selvas dando lugar a uma paisagem mais árida, parecida com as atuais savanas, estimularam um processo de adaptação que foi responsável pelo fim dos australopitecos e emergência dos Homo. Na mesma área onde a mandíbula foi encontrada, os pesquisadores acharam fósseis de espécies pré-históricas de antílopes, elefantes, hipopótamos e outros animais relacionados com habitats mais abertos, dominado por grama alta e arbustos e com árvores mais espaçadas.

— Podemos observar esse sinal de maior aridez há 2,8 milhões de anos na fauna comunal de Ledi-Geraru — disse Kaye Reed, professor da Universidade do Estado do Arizona, outro integrante da equipe responsável pela descoberta, que participou da teleconferência da Etiópia. — Ainda é cedo para dizer que isso significa que as mudanças climáticas foram responsáveis pela origem do gênero Homo. Para isso, precisamos de uma amostragem maior de fósseis de hominídeos e é por isso que continuamos a vir para a região de Ledi-Geraru em busca deles. O que sabemos é que esses Homoantigos conseguiam viver neste habitat razoavelmente extremo e que, aparentemente, a espécie de Lucy, osAustralopithecus afarensis, não.
Já um terceiro estudo relacionado ao tema, também publicado ontem, mas na revista “Nature”, revisitou o fóssil original que permitiu a identificação pela primeira vez do Homo habilis há pouco mais de 50 anos e revelou que, entre 2,1 milhões e 1,6 milhão de anos atrás, pelo menos três espécies representantes do gênero conviveram na África: além do H. habilis, o H. erectus e o H. Rudolfensis. Encontrados nos anos 1960 pelo respeitado e já falecido paleoantropólogo britânico Louis Leakey na região da Garganta de Olduvai, na Tanzânia — e que, por isso, recebeu o apelido de “Berço da Humanidade” —, os restos fragmentados de crânio e mandíbula serviram de base para uma reconstrução digital em 3D de como seria a cabeça completa de um representante da espécie, evidenciando características que antes não puderam ser notadas pelos especialistas.



Novo fóssil apareceu como se “sob demanda”

Segundo os pesquisadores, embora a mandíbula do H. habilis realmente pareça ter um formato mais parecido com o de espécies mais “primitivas”, como os australopitecos, a reconstrução do crânio indica que o cérebro era bem maior do que se pensava, com tamanho similar ao dos seus “primos” Homo de então e mais próximo do dos humanos modernos. Até recentemente, o tamanho do cérebro era um dos principais parâmetros usados para distinguir as três espécies, mas, com esse estudo, os cientistas defendem que a caracterização deve se focar nos traços de suas faces, especialmente das mandíbulas.
Ainda de acordo com os pesquisadores, a reconstrução digital do fóssil, junto com estudos anteriores de outros restos de antecessores dos humanos atuais encontrados na Tanzânia e na Etiópia, indicam que as três linhagens do gênero Homo se separaram de um ancestral comum provavelmente há mais de 2,3 milhões de anos, cujo exemplo até agora desconhecido pode ser justamente o indivíduo cuja mandíbula foi achada em Ledi-Geraru e descrito na “Science”.

— Ao explorar digitalmente como o Homo habilis se parecia, pudemos inferir a natureza de seu ancestral, mas nenhum fóssil dele era conhecido — conta Fred Spoor, pesquisador do University College London e do Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária e um dos autores do artigo na “Nature”. — Mas, agora, a mandíbula de Ledi-Geraru apareceu como se “sob demanda”, sugerindo uma ligação evolucionária plausível entre o Australopithecus afarensis e o Homo habilis.